01 — Fundamento
Objetivo
O PDI não substitui o treino do grupo — é um trabalho complementar, de menor volume e menor pressão, focado no que o atleta especificamente precisa destravar.
02 — Base teórica
Pilares metodológicos
Quatro ideias, de fontes diferentes, sustentam como o PDI é desenhado e conduzido em campo.
Especificidade em escala
O mesmo princípio se treina primeiro na escala individual, depois setorial, depois coletiva — sem nunca perder ligação com o modelo de jogo do clube. O PDI é a escala individual desse sistema.
Propensão
Repetição sistemática de um mesmo critério até virar automatismo — sempre dentro de um contexto com sentido, nunca repetição mecânica isolada do jogo.
Descoberta guiada + autonomia
O treinador não entrega a resposta pronta — monta a pergunta e deixa o atleta testar a solução. Autonomia, competência e senso de pertencimento reduzem burnout e aumentam engajamento em ambientes esportivos.
Restrição como ferramenta
Corrige-se mudando a regra ou o espaço do exercício, não só com instrução verbal — a solução tática aparece porque o exercício obriga, não porque foi dita.
03 — Prática
Formato do treino
Sessões de 20 a 30 minutos, isoladas do treino coletivo. O método muda conforme a natureza do critério da vez:
Técnica pura, fragmentada
Pra critérios de execução isolada — o gesto sozinho, fora do contexto de jogo, com alto número de repetições. É o método clássico de trabalhar fundamento.
Recorte real, sem enfrentamento pleno
Recria um pedaço realista do jogo — poucos jogadores, espaço reduzido — mas sem duelo direto prolongado. A pressão competitiva plena já é trabalhada no treino do grupo; aqui o objetivo é o atleta enxergar a solução, não vencer o confronto.
04 — Pedagogia
Autonomia e como apresentamos a informação
Um mesociclo de 3 semanas por critério, estruturado como descoberta guiada.
Planta a pergunta
Vídeo curto — referência externa ou de outro jogador — mostrando o critério em ação. Sem dizer "faça assim": a sessão se abre com uma pergunta, não uma instrução.
Confronta com a própria realidade
Recorte do próprio jogo do atleta relacionado ao critério da semana — ele vê onde faltou e onde já apareceu, sem o treinador apontar antes.
Espaço de debate
Momento aberto de reflexão: o atleta traz pontos de discussão, dúvidas ou observações sobre o critério da semana, e a comissão retoma o que ainda precisar de ajuste. A autonomia está em ele trazer o conteúdo do debate, não em decidir o formato da sessão.
05 — Conteúdo
Estrutura por setor
O campo se divide em três grandes setores. Cada um carrega seu próprio banco de critérios — Técnico reúne fundamento com bola e mecânica corporal; Tático Individual reúne leitura de jogo e decisão de um jogador só.
Defesa — Zagueiros e Laterais
| Critério | Categoria | O que trabalha |
|---|
Meio — Volantes e Meias
| Critério | Categoria | O que trabalha |
|---|
Ataque — Pontas e Atacantes
| Critério | Categoria | O que trabalha |
|---|
06 — Acompanhamento
Ciclo de avaliação
Estrutura preservada do modelo já em uso na planilha — comissão e autoavaliação sempre em paralelo, sem perder o histórico entre ciclos.
07 — Estrutura
Macrociclo, mesociclo e microciclo
Como o tempo se organiza dentro do PDI — do acompanhamento do semestre até a sessão de treino da semana.
Vai da avaliação de início até a avaliação de fim (seção 06). Dentro dele cabem quantos mesociclos forem necessários — a comissão encadeia um atrás do outro conforme os critérios que o atleta precisa evoluir.
Bloco fechado dedicado a 1 (ou poucos) critério(s) por vez. Ao fim das 3 semanas, a comissão reavalia e define o critério do próximo mesociclo.
Cada microciclo é uma semana de trabalho (seção 04) — a menor unidade do PDI, onde o critério do mesociclo é apresentado, confrontado com o próprio jogo do atleta e depois testado com autonomia.